Bom dia... A resenha a seguir é fruto de um trabalho desenvolvido com a turma de terceiro ano do Ensino Médio Integrado do curso de Automação Industrial do Instituto Federal Catarinense - Luzerna. Ao longo do primeiro trimestre de 2016, a professora de História, Isabel Cristina Hentz, trabalhou com a turma o tema da escravidão. Como conclusão desse tema, foi exibido o filme "12 anos de escravidão" e proposto aos alunos escreverem uma resenha sobre o filme articulando com os conteúdos trabalhados em sala de aula. As resenhas publicadas aqui no blog do Projeto Cinestória foram as que mais se destacaram pela sua originalidade.
Segue resenha do filme "12 anos de escravidão":
A história de um homem livre escravizado
MCQUEEN, Steve. 12 Years a Slave. Estados
Unidos, Reino Unido – 2013. 134 min. Colorido.
12
Anos de Escravidão é um filme que retrata um fato antigo, mas ao mesmo tempo
muito atual. O filme chegou aos cinemas brasileiros cerca de 126 anos depois da
abolição da escravatura no Brasil, que ocorreu em 1888 com a Lei Áurea. Nos
Estados Unidos, a abolição ocorreu em 1863, com um processo muito conflituoso
que dividiu o país. Essas datas, 1863 e 1888, nos remetem a um passado
distante, o que não é verídico, já que as marcas do que foi a escravidão
permanecem até hoje. Assim, a escravidão feriu e continua ferindo a dignidade
de muitas pessoas, que são obrigadas a carregar em suas costas a dor e o
sofrimento de seus antepassados. Além disso, quando se fala em escravidão se
lembra de pessoas negras, estas, continuam sendo tratadas com desrespeito até
hoje, através de atos racistas e preconceituosos.
12
Years a Slave ou 12 Anos de Escravidão, é um filme estreado no dia 30 de agosto
de 2013 no Festival de Telluride (Estados Unidos). No Brasil, foi lançado no
dia 28 de fevereiro de 2014, sendo amplamente elogiado pela crítica. O filme,
que é de drama épico e histórico britânico-estadunidense, é uma adaptação do
livro autobiográfico de 1853 de Solomon Northup, um grande aliado contra a
escravidão nos Estados Unidos, que auxiliou vários escravos que estavam
passando pelo mesmo que ele havia vivenciado. O filme foi dirigido por Steve
McQueen e escrito por John Ridley, tendo como protagonista Chiwetwl Ejiofor,
que interpretou Solomon Northup e tem sido muito louvado pelo seu trabalho. O orçamento de produção do filme foi de 20
milhões de dólares, valor baixo se comparado a outros filmes de Hollywood, além
disso, as filmagens na Louisiana duraram somente 35 dias e foram feitas com
apenas uma câmera. Outra curiosidade é quanto a árvore que Solomon Northup vê
muitos escravos sofrendo violências no filme, esta, foi realmente utilizada
para essa finalidade e hoje está rodeada por túmulos de escravos que foram
assassinados. O filme foi aclamado pela crítica mundial e indicado para
diversos prêmios, entre eles, a 86ª edição do Oscar, em 2 de março de 2014, em
que o filme foi indicado em 9 categorias, vencendo três delas, o de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Lupita
Nyong'o) e Melhor Roteiro Adaptado.
O filme se passa entre as décadas de 1840 e 1850 e narra a
história de Solomon Northup, um negro livre que vive em Nova Iorque com a
mulher (também negra) e suas duas filhas. A família vive uma vida tranquila,
Northup se divide entre seus dotes de carpinteiro e seu talento com o violino.
Porém, atraído pela oportunidade de uma vida melhor, Northup aceita a proposta
de dois homens para trabalhar em um emprego provisório de duas semanas em
Washington. Mas, ao contrário do que imaginava e lhe fora prometido, ao invés
de se deparar com muita glória e lucro, se depara com correntes amarradas a seu
corpo depois de uma noite de comemorações. A partir daí, Solomon
passou a ser Platt, um escravo que recebeu esse nome para esconder sua condição
de homem livre. Platt é comprado pelo dono de uma plantação de Louisiana e, com
inúmeras dificuldades e violências sofridas, passa doze anos nessas condições
até ser finalmente liberto e reencontrar sua família.
Ao
longo do filme, fica evidente as diferenças de vida dos escravos e de seus
senhores. Os primeiros, são tratados como objetos de mercadoria na maior parte
do filme, podendo ser traficados e vendidos de qualquer forma: os homens eram
separados de suas mulheres, os filhos eram separados de suas mães, e assim por
diante. Por conta disso e de suas
condições de vida, havia muita resistência por parte dos escravos, que
procuravam se defender e protestar contra a forma como eram tratados. A cena
mais marcante que representa o desespero da separação das famílias é, sem
dúvidas, a cena em que mostra uma mulher escrava sendo vendida sem seus filhos.
A aflição e a tristeza tomam conta do filme, enquanto a mãe grita e chora
desesperadamente temendo nunca mais ver seus filhos, que, provavelmente, era
uma das poucas coisas que a motivava a acordar todos os dias nas condições em
que vivia.
Os
aspectos audiovisuais do filme também contribuem para torná-lo mais real. Uma
das cenas mais tocantes demostra claramente esse aspecto audiovisual. Ao vermos
Solomon pendurado em uma árvore, preso pelo pescoço e sobrevivendo apenas por
conseguir alcançar os pés na lama, já sentimos um certo desespero e aflição,
mas quando o diretor deixa como som apenas a respiração abafada do escravo, o
ranger da corda na árvore e seus pés raspando no chão, a cena se torna ainda
mais marcante. Enquanto isso, o resto da fazenda segue suas vidas normalmente,
ideia reforçada pelo enquadramento da cena, já que o diretor foca nos escravos
trabalhando e torna Solomon um mero plano de fundo.
Outros
aspectos como a aproximação da câmera em certos objetos e partes do corpo das
pessoas, tornam o filme ainda mais angustiante. Além da relação estabelecida
entre as mãos de Solomon quando ele toca o violino e quando ele é obrigado a
dar chibatadas em Patsey após ela sair da fazenda para pegar um sabonete, por
não se sentir bem com seu próprio cheiro.
Outra
forma de resistência, de certa forma indireta ilustrada no filme, é a cena de
sexo entre Solomon Northup e uma escrava, já que não há desejo no ato, é apenas
a busca por uma saída, para depois se entregar ao desespero novamente. Algo
parecido ocorre na cena de estupro de Patsey por seu mestre, em que fica claro que
é um ato forçado, na medida que a escrava se nega (não apenas por não querer,
mas também por não conseguir) sentir prazer.
Com cenas cruas e tensas, o
filme 12 Anos de Escravidão “faz você sentir que testemunhou a escravidão em
todo seu horror como se fosse a primeira vez.”, como disse a crítica de cinema Susan
Wloszczyna. Mas, ao contrário do que muitos pensam, McQueen não fez um filme
sobre a escravidão, ele encontrou e contou a história de um homem livre.
Raphaela Regina Brandalize
SALGADO,
Lucas. Críticas AdoroCinema do filme 12
Anos de Escravidão. Disponível em:<http://www.adorocinema.com/filmes/filme-196885/criticas-adorocinema/> Acesso em: 10/04/2016
Solomon Northup. Disponível
em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Solomon_Northup> Acesso em: 10/04/2016
12 Anos Escravo. Disponível
em:<http://cinecartaz.publico.pt/Filme/326723_12-anos-escravo> Acesso em: 10/04/2016
12 Years a Slave. Disponível
em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/12_Years_a_Slave#M.C3.BAsica> Acesso em: 10/04/2016
Eu fiquei muito emocionada quando assisti ao filme, por ser uma história real e tão forte. Acho sensacional como os filmes tem poder de nos fazerem absorver tanto conhecimento em pouco tempo e de maneira tão didática. Mal posso esperar por este filme, quando soube que seria lançado algo sobre o tema, fiquei fascinada! Acho-o um excelente ator. Eu adoro pesquisar e ver filmes e documentários sobre política e temas polêmicos, como é o caso de um assunto tão atual como o brexit . Eu assisti o trailer e achei muito incrível como o Benedict Cumberbatch está irreconhecível. Aliás, ele sempre mergulha nos papéis e surpreende. Eu acredito que esta produção tenha tudo para ser um dos dramas mais interessantes do ano, seja pelas atuação como a trama em si. Creio que seja tão genial quanto este documentário é, por ter uma abordagem distinta, mostrando os bastidores.
ResponderExcluir