sexta-feira, 27 de maio de 2016

12 anos de escravidão

Bom dia... A resenha a seguir é fruto de um trabalho desenvolvido com a turma de terceiro ano do Ensino Médio Integrado do curso de Automação Industrial do Instituto Federal Catarinense - Luzerna. Ao longo do primeiro trimestre de 2016, a professora de História, Isabel Cristina Hentz, trabalhou com a turma o tema da escravidão. Como conclusão desse tema, foi exibido o filme "12 anos de escravidão" e proposto aos alunos escreverem uma resenha sobre o filme articulando com os conteúdos trabalhados em sala de aula. As resenhas publicadas aqui no blog do Projeto Cinestória foram as que mais se destacaram pela sua originalidade.

Segue resenha do filme "12 anos de escravidão":

12 anos na pele

O filme “12 Anos de Escravidão” foi dirigido por Steve McQueen, baseado na autobiografia de Solomon Northup descreve um crime e o sofrimento por ele vivido. A obra se passa na década de 1850, o violinista Solomon é um negro livre que vive nos Estados Unidos com sua família. Uma proposta de emprego levou-o a uma reunião onde foi dopado, ao acordar se depara em uma prisão onde mudam seu nome para Platt e em seguida o traficam como escravo.
O tratamento dado a ele foi igual a outros escravos, com o porém de que por saber tocar violino foi comprado por um senhor de escravos que apreciava seu talento. Brigas ocorrem e o capataz da fazenda tentou assassiná-lo, assim ele é vendido para uma fazenda de algodão onde conheceu Patsey uma escrava que colhia mais algodão que qualquer outro. Antes de ser libertado ainda foi emprestado para outra fazenda com a justificativa que os negros eram as pestes que não permitiam a plantação produzir. Doze anos de sofrimento e conseguiu enviar uma carta a um advogado que com os documentos de liberdade o salvou.
Na obra é expressa a prática que muito ocorreu às escuras acabando com milhares de vidas. Naquele período ainda existiam escravos porém um homem livre tinha direitos mesmo sendo liberto, nada podia legalmente transformar alguém em escravo, assim observamos que os criminosos não consideravam negros como cidadãos.
Logo nas primeiras cenas do filme aparecem alguns flashes da história do personagem, um deles lembra muito as pinturas de Rugendas, se trata dos escravos no porão de um navio negreiro. Também a maneira que o mercado de escravos é representado lembra várias pinturas de Debret, por exemplo examinando o físico dos escravos e a separação de uma mãe de seus filhos como se fossem animais quaisquer. Essa mulher que teve o direito de ser mãe retirado da sua natureza ficou tão abalada que se condenou a chorar por seus filhos para o resto da vida, isso é um fato importante que representa a situação desumana que era vivida.
É comum observar nas festas que o senhor promovia que os escravos mesmo sendo incentivados a se divertir não conseguiam, dançavam de cabeça baixa e sem empolgação. Outra ocorrência que aparece múltiplas vezes é a mudança de local e de tarefa dos escravos, que não era nada visando o bem-estar do escravo, mas era de acordo com a vontade e problemas econômicos do senhor de escravos.
Me chamou atenção que os escravos tinham que ir ao culto da religião do senhor do escravo, o padre que regia a missa tinha a missão de fazer os escravos aceitarem sua vida como um destino e muitos que não tinham esperança de se libertarem aceitavam aquilo, tanto que em uma conversa no porão do navio um dos escravos comentou com Solomon que todos que estavam ali não tentariam lutar para fugir pois já aceitavam tal destino.
Solomon consegue enviar a carta com a ajuda de um branco livre empregado da mesma fazenda, os dois tiveram um diálogo de como seria quando aprovassem uma lei dando os mesmos direitos a todos e acabando com a escravidão. Quando conseguiu a libertação o caminho que Solomon seguiu foi palestrar e escrever livros mostrando a realidade de um escravo lutando para que tudo isso nunca mais ocorrer.
Esse filme é a ilustração de um dos livros de memória escritos por ele, mostra  como viviam, os estupros que escravos sofriam até as torturas. É uma imagem que ninguém gostaria de ver a sua frente, fazendo o seu papel de conscientizar e relembrar acontecimentos tão delicados. Solomon foi um dos poucos sobreviventes de um caso de sequestro e escravização, isso dificulta muito a disseminação do quão grande foi esse problema que até hoje ocorre com situações análogas.
Eduardo Dalposso

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