Bom dia... A resenha a seguir é fruto de um trabalho desenvolvido com a turma de terceiro ano do Ensino Médio Integrado do curso de Automação Industrial do Instituto Federal Catarinense - Luzerna. Ao longo do primeiro trimestre de 2016, a professora de História, Isabel Cristina Hentz, trabalhou com a turma o tema da escravidão. Como conclusão desse tema, foi exibido o filme "12 anos de escravidão" e proposto aos alunos escreverem uma resenha sobre o filme articulando com os conteúdos trabalhados em sala de aula. As resenhas publicadas aqui no blog do Projeto Cinestória foram as que mais se destacaram pela sua originalidade.
Segue resenha do filme "12 anos de escravidão":
12 anos na
pele
O filme “12 Anos de
Escravidão” foi dirigido por Steve McQueen,
baseado na autobiografia de Solomon Northup descreve um crime e o sofrimento
por ele vivido. A obra se passa na década de 1850, o violinista Solomon é um
negro livre que vive nos Estados Unidos com sua família. Uma proposta de
emprego levou-o a uma reunião onde foi dopado, ao acordar se depara em uma
prisão onde mudam seu nome para Platt e em seguida o traficam como escravo.
O tratamento dado a ele foi igual a
outros escravos, com o porém de que por saber tocar violino foi comprado por um
senhor de escravos que apreciava seu talento. Brigas ocorrem e o capataz da
fazenda tentou assassiná-lo, assim ele é vendido para uma fazenda de algodão
onde conheceu Patsey uma escrava que colhia mais algodão que qualquer outro.
Antes de ser libertado ainda foi emprestado para outra fazenda com a
justificativa que os negros eram as pestes que não permitiam a plantação
produzir. Doze anos de sofrimento e conseguiu enviar uma carta a um advogado
que com os documentos de liberdade o salvou.
Na obra é expressa a prática que muito
ocorreu às escuras acabando com milhares de vidas. Naquele período ainda
existiam escravos porém um homem livre tinha direitos mesmo sendo liberto, nada
podia legalmente transformar alguém em escravo, assim observamos que os
criminosos não consideravam negros como cidadãos.
Logo nas primeiras cenas do filme
aparecem alguns flashes da história do personagem, um deles lembra muito as
pinturas de Rugendas, se trata dos escravos no porão de um navio negreiro.
Também a maneira que o mercado de escravos é representado lembra várias
pinturas de Debret, por exemplo examinando o físico dos escravos e a separação
de uma mãe de seus filhos como se fossem animais quaisquer. Essa mulher que
teve o direito de ser mãe retirado da sua natureza ficou tão abalada que se
condenou a chorar por seus filhos para o resto da vida, isso é um fato
importante que representa a situação desumana que era vivida.
É comum observar nas festas que o
senhor promovia que os escravos mesmo sendo incentivados a se divertir não
conseguiam, dançavam de cabeça baixa e sem empolgação. Outra ocorrência que
aparece múltiplas vezes é a mudança de local e de tarefa dos escravos, que não
era nada visando o bem-estar do escravo, mas era de acordo com a vontade e
problemas econômicos do senhor de escravos.
Me chamou atenção que os escravos
tinham que ir ao culto da religião do senhor do escravo, o padre que regia a
missa tinha a missão de fazer os escravos aceitarem sua vida como um destino e
muitos que não tinham esperança de se libertarem aceitavam aquilo, tanto que em
uma conversa no porão do navio um dos escravos comentou com Solomon que todos
que estavam ali não tentariam lutar para fugir pois já aceitavam tal destino.
Solomon consegue enviar a carta com a
ajuda de um branco livre empregado da mesma fazenda, os dois tiveram um diálogo
de como seria quando aprovassem uma lei dando os mesmos direitos a todos e
acabando com a escravidão. Quando conseguiu a libertação o caminho que Solomon
seguiu foi palestrar e escrever livros mostrando a realidade de um escravo
lutando para que tudo isso nunca mais ocorrer.
Esse filme é a ilustração de um dos
livros de memória escritos por ele, mostra
como viviam, os estupros que escravos sofriam até as torturas. É uma
imagem que ninguém gostaria de ver a sua frente, fazendo o seu papel de
conscientizar e relembrar acontecimentos tão delicados. Solomon foi um dos
poucos sobreviventes de um caso de sequestro e escravização, isso dificulta
muito a disseminação do quão grande foi esse problema que até hoje ocorre com
situações análogas.
Eduardo Dalposso
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