Boa tarde ... O texto a seguir é fruto de uma atividade desenvolvida com as turmas de segundo ano do Ensino Médio Integrado do Instituto Federal Catarinense - Luzerna. Ao longo das últimas aulas, a professora de História, Isabel Cristina Hentz, trabalhou com a turma o tema do Nazismo e Segunda Guerra Mundial . Como conclusão desse tema, foi proposto que os estudantes produzissem um texto abordando a construção da memória sobre o Nazismo após o fim da Segunda Guerra Mundial utilizando o filme A Lista de Schindler como ponto de partida para a reflexão. O texto publicado aqui no blog do Projeto Cinestória foi o que mais se destacou pela sua originalidade.
Texto
A construção da memória sobre o Nazismo após o fim da Segunda Guerra Mundial
A construção da memória sobre o Nazismo após o fim da Segunda Guerra Mundial
Quando nos vêm à mente o termo Nazismo - seja por começarmos a estudar sobre a 2ª guerra mundial, lermos um livro ou mesmo assistirmos a um filme sobre o assunto -, certamente nos vêm à cabeça na hora as atrocidades feitas nos campos de concentração contra “raças” que alemães acreditavam ser inferiores. Se a pessoa não tiver pelo menos um sentimento de compaixão por 6 milhões de pessoas inocentes mortas por esta justificativa sem nexo, então ela não conhece a história dos campos de concentração.
Eu mesma posso me considerar alguém sem muito conhecimento no assunto. Em função disso, eu acreditava, até pouco tempo atrás, que este contexto todo da segunda guerra mundial era coisa do passado e não importava mais; e que estes relatos dos campos de concentração eram um pouco exagerados. Mas, depois de estudos sobre isso (levando em conta também o filme A lista de Schindler), percebi que o fato de o ser humano ter inferiorizado, em seguida torturado, e por fim assassinado milhões só por causa de uma concepção (errônea), era totalmente real.
A lista de Schindler trata da percepção de Oskar Schindler sobre os judeus, e como lida com as ininterruptas torturas e mortes destes. No início do filme, Oskar só deseja contratar judeus para sua nova fábrica porque custam menos. Conforme o filme vai passando ele vai percebendo os atos feitos por outro ângulo, começando a perceber estes como atrocidades; talvez sob influência de Stern, seu contador, que era judeu. A partir deste momento, Schindler pega todo o dinheiro que conseguiu com sua fábrica e o usa para “comprar” 1.100 judeus, que transfere em segurança para sua nova fábrica na Tchecoslováquia, longe do campo de concentração de Auschwitz.
Percebe-se que Hitler não aparece no filme, nem tem seu nome muito citado no filme (talvez uma ou duas vezes). O próprio nazismo não é algo muito evidenciado. O filme traz uma visão sobressaída em relação a Schindler, Göth e Stern, expressando um claro ponto de vista de heróis e vilões: Schindler como herói, e Göth como vilão. Amon é visto como um assassino sanguinário louco que fica na sacada de casa brincando de tiro ao alvo com judeus. A imagem que é passada para nós é que todos os nazistas eram assassinos, e evidencia somente um ponto de vista sobre nazismo: que a criação deste partido foi obra de pessoas insanas e sanguinárias. Marca de uma forma totalmente negativa a ideia de nazismo, reforçando ainda mais a concepção que já tínhamos.
Vale ressaltar que a visão demonstrada no filme é somente uma das muitas formas de mostrar o que aconteceu. Obviamente, nenhuma fonte histórica é totalmente imparcial, e deve-se levar em conta que em qualquer coisa é posto algum sentimento, sendo negativo ou positivo. No caso, uma das possíveis interpretações deste filme é a visão de que todo nazista é assassino sanguinário, e os judeus são dependentes de Schindler. Como dito antes, por ter cenas fortes, marca em nós, fazendo-nos lembrar ainda mais deste ponto de vista como sendo o certo.
A criação de um museu em memória ao campo de concentração de Auschwitz, o pior e mais conhecido que já existiu, só faz renascer um sentimento de horror e terror que tinha morrido desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Talvez o criador tenha o feito com o intuito de fazer as pessoas saberem mais sobre o assunto, e refletir sobre uma das piores atrocidades já realizadas em um mundo supostamente “moderno”. Mas, na minha opinião, foi um meio completamente indelicado para relembrar de um passado tão grotesco, levando em conta que descendentes de sobreviventes daquele local podem visitar este “ponto turístico”.
Para mim, o estudo e o ensino de qualquer tema histórico em que houve mortes deve ser feito com cautela e tato, pois houve vítimas, perdas e muito sofrimento intrínseco ao fato. Para a demonstração de algo tão horrível, deveria ser mostrado algo não tão traumatizante - pois, neste caso, estamos falando de um lugar onde no passado não existia passagem de volta, só de ida.
Cecília Paulina Johann Dammann
Referências
- CORREA, Larissa Rosa. Da “banalidade do mal” ao turismo como fetiche em Auschwitz: relatos de uma experiência nada banal. In: O chão da História: Dos arquivos às ruas. Disponível em <http://chao-da-historia.blogspot.com.br/2015/08/da-banalidade-do-mal-ao-turismo-como.html?m=1>. Acesso em 09 de nov de 2016.
- 20 anos de "A Lista de Schindler": veja curiosidades do épico de Spielberg. In: UOL entretenimento Cinema. Disponível em <http://cinema.uol.com.br/album/2013/12/14/20-anos-de-a-lista-de-schindler-veja-curiosidades-do-epico-de-spielberg.htm#fotoNav=1>. Acesso em 09 de nov de 2016
- MARQUES, João. Quais foram as experiências feitas pelos médicos nazistas durante a II Guerra Mundial? 2013. Disponível em: <http://www.muitointeressante.com.br/pq/quais-foram-as-experiencias-feitas-pelos-medicos-nazistas-durante-a-ii-guerra-mundial>. Acesso em: 27 nov. 2016.
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